PARCERIAS ENFERMEIRO E AGENTES PENITENCIÁRIOS: defesa da saúde e dignidade da população privada de liberdade

Edição XIV - 2017


Prática

Autor(es): AMARILDO MACANEIRO

Categoria: Justiça e Cidadania

Estado: São João do Rio Vermelho (Florianópolis) - SC

Descrição resumida

A grave situação em que se encontram as pessoas privadas de liberdade, refletida, dentre outros fatores, nas práticas de violência, na precariedade de espaço físico e na carência do atendimento à saúde, é uma realidade inegável. Como enfermeiro profissional, coordenador da Unidade Básica de Saúde no Complexo Penitenciário de Florianópolis, a partir dos constantes questionamentos dos agentes prisionais, como alternativa ao diagnóstico de alguns agravos, da população privada de liberdade, originam-se parcerias na iniciativa dos agentes prisionais da atenção básica em saúde, utilizando-se da estratégia desenvolvida dos Testes Rápidos (TR), garantindo que o direito à cidadania se efetive na perspectiva dos direitos humanos, assegurados pela Constituição Federal de 1988. Método: estudo descritivo, tipo relato de experiência. Como cenário e população envolvida, 1340 pessoas privadas de liberdade do Complexo Penitenciário. Resultados: atendidos os requisitos para a realização dos testes, respeitando-se uma metodologia ética e capacitação de enfermeiros, iniciaram-se os Testes Rápidos. No período do estudo, realizaram-se mais de 340 testes, resultando em 27 positivos: sífilis (18); hepatite C (5), hepatite B (3) e, HIV (1). Diante dos resultados foi percebida a necessidade da elaboração de material informativo, sendo criada uma Cartilha de Orientação para os reclusos e seus familiares. Considerações finais: em apenas dez meses observam-se transformações com as parcerias realizadas e o desempenho do enfermeiro envolvido como gestor, trazendo o impossível para a realidade vivida, favorecendo mais dignidade e humanização à esta população. Prosseguem a busca de parcerias com Unidades Básicas de Saúde de referências, em outros municípios para, no caso de transferência, sejam notificados agravos e envio de prontuários eletrônicos, garantindo a continuidade da assistência. Por fim, coloca-se à prova que o que faz acontecer é, sim, a ação do conhecimento científico, direcionado à

Qual a principal inovação da sua prática?

Gestão de saúde coletiva trazendo por meio de parcerias o serviço externo para dentro dos muros do Complexo Presidiário de Florianópolis - SC.

Explique como sua prática contribui para o aperfeiçoamento da justiça.

Melhorando a segurança do sistema prisional, proporcionando que os reclusos fiquem menos expostos, não necessitando que se desloquem com algemas para os atendimentos de saúde. Preservando portanto a dignidade e a auto estima destes e, protegendo a sociedade de riscos e dissabores desnecessários.

Desde quando sua prática está em funcionamento?

Data: fevereiro/2016

Explique como ocorreu o processo de implantação da prática.

A partir dos constantes questionamentos dos agentes prisionais, como alternativa ao diagnóstico de alguns agravos, da população privada de liberdade, originam-se parcerias com enfermeiro coordenador e agentes prisionais com o intuito de atender os requisitos para a realização dos Testes Rápidos junto aos reclusos do Complexo Penitenciário de Florianópolis. Logo, por meio de uma metodologia ética e capacitação de enfermeiros, iniciaram-se os Testes Rápidos da atenção básica em saúde, garantindo a dignidade e os direitos humanos, as pessoas privadas de liberdade.

Quais os fatores de sucesso da prática?

Inicialmente realizaram-se mais de 340 testes, resultando em 27 positivos: sífilis (18); hepatite C (5), hepatite B (3) e, HIV (1), os quais percebidos receberam tratamentos adequados. Em apenas dez meses, foi observado transformações com as parcerias realizadas e o desempenho do enfermeiro envolvido como gestor, trazendo o impossível para a realidade vivida, favorecendo mais dignidade e humanização à população privada de liberdade. Considera-se sucesso a continuidade dos Testes contando-se com o apoio da 18ª Regional de Saúde do Estado. A confecção e distribuição da Cartilha sobre a Sífilis auxiliando os reclusos, seus familiares e a comunidade. Ainda, a continuidade dos Testes Rápidos.

Quais as difuldades encontradas?

A carência de profissionais capacitados para a aplicação dos Testes Rápidos e acompanhamento do tratamento.

Descreva resumidamente as atuais etapas de funcionamento da prática.

Diante de tais resultados com a preocupação do aumento de diagnósticos das DSTs sendo que muitos tem visita íntima, criou-se com o auxílio de uma estagiária do Serviço Social (Renata) a Cartilha de Orientação para os reclusos e seus familiares. Esta cartilha foi aprovada pela instituição e após editada pelo coordenador distribuída junto à população privada e seus familiares. A mesma encontra-se a disposição no serviço social e na Unidade Básica de Saúde do Complexo Penitenciário de Florianópolis, SC. Atualmente, percebe-se a continuidade dos Testes Rápidos, com o resultado do diagnóstico, tratamento e acompanhamento para o mesmo, bem como, prosseguem as buscas por parcerias com Unidades Básicas de Saúde de referências, em outros municípios para, no caso de transferência, sejam notificados agravos e envio de prontuários eletrônicos, garantindo a continuidade da assistência. Ocorreu uma ação do conhecimento científico, direcionado à busca de programas existentes, os quais atravessando paredes, propiciaram um atendimento de qualidade aos reclusos, restituindo-os de sua auto estima.

Equipe

Três enfermeiros, dos quais apenas um com formação para a aplicação dos Testes Rápidos. Agentes Prisionais. Uma estagiária do Serviço Social.

Equipamentos e sistemas

Uma centrífuga cedida pelo LAMUF. Sistema SISP para registro de Resultados.

Orçamento

Nada a declarar.

Outros recursos

nada a declarar