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Título Justiça Comunitária: um instrumento de resolução de conflitos nas comunidades do Estado da Florestania
Autor Eva Evangelista de Araújo Souza
Rio Branco - AC Edição III - 2006
Deferida Tribunal
  • Identificação da prática
    • Descrição resumida?

      O Programa Justiça Comunitária Itinerante do Tribunal de Justiça do Acre oferece uma nova forma de estimular a redução dos conflitos em comunidades carentes, ensinando a população a resolver seus próprios problemas, pela mediação, com o auxílio de Agentes Comunitários, recrutados na própria comunidade, apoiados por uma equipe interdisciplinar (Assistente Social, Psicólogo, Conciliadores)

  • Benefícios específicos da prática
    • Benefícios específicos da prática?

      Atuando na própria comunidade, auxilia na redução da violência local, fornece noções de cidadania, desafoga os Tribunais e, desta forma, acelera o atendimento dos litígios lá existentes, com custo reduzido para o Poder Público.
      Ao mesmo tempo, o Programa facilita o acesso à justiça, aproximando o Poder Judiciário e seus Juizes da população carente, colocando à disposição, além dos Agentes Comunitários, um Juizado Especial Cível Itinerante. Esse Juizado funciona em um ônibus equipado com computadores, ar condicionado, sala de audiência e de reclamações, encaminhados os casos para ajuizamento de ações.
      A exemplo de outros Estados, o projeto visa colaborar com os Juizados Especiais. Ao propiciar um ambiente seguro e neutro para o diálogo previnem-se ações demoradas e desgastantes para ambas as partes. Assim, reduz a quantidade de reclamações a serem ajuizadas nos Juizados, assegurando maior atenção e celeridade ao contigente processual dos Especiais.

  • Detalhamento da Prática
    • Há quanto tempo a prática está em funcionamento??

      No Acre, começou a ser implantado em outubro de 2002 com a seleção e capacitação dos Agentes Comunitários. Com características próprias e marcantes, em face da história de cuja importância e relato mereceu destaque nas iniciais deste trabalho monográfico. O atendimento ocorreu a partir de 20 de fevereiro de 2003. A atual edição teve início em 07 de abril de 2004, também com a capacitação da Equipe, como início do atendimento ao público em 03 de maio do mesmo ano.

    • O que deu ensejo à criação da prática? Qual problema da vara/Tribunal precisava ser corrigido??

      Ante a deficiência do sistema judiciário acreano, o Projeto Justiça Comunitária foi implementado indo de encontro a necessidade de democratizar a realização da justiça, estimulando a comunidade a desenvolver mecanismos próprios de resolução de conflitos, por meio do diálogo e da participação comunitária, condições indispensáveis ao pleno exercício da cidadania.
      A criação de mecanismos pacíficos de comunicação entre cidadãos em conflito é uma das principais tarefas desempenhadas pelos Agentes Comunitários de Justiça e Cidadania que, na qualidade de membros da comunidade, partilham dos problemas, do código de valores e das relações sociais nela edificadas.
      Nesse sentido, o Projeto tem por pretensão valorizar a esfera comunitária e suas idiossincrasias, porque concebe a democracia como um processo que, quando exercido em âmbito local, promove maior participação, mais inclusão social e, conseqüentemente, mais cidadania. É na instância comunitária que os indivíduos edificam suas relações sociais e podem participar de forma mais ativa das decisões políticas. Em tal cenário é se estimulada a capacidade de autodeterminação do cidadão, transformando-o em protagonista de sua própria história.
      Os Juizados e o Tribunal, nesse contexto, encontravam-se superlotados de processos a espera de decisões que, face o tradicionalismo da lei brasileira, bem assim a rigidez, eternizavam os litígios, produzindo quase sempre questões simples de dívidas, por exemplo, vinganças, lesões e homicídios.

    • Qual a principal inovação da sua prática??

      A principal inovação é a resolução dos conflitos na origem e nas próprias comunidades, rural e urbana, seringais e aldeias, impelindo às partes a, por si só, comporem o problema de modo a não formar a relação processual tradicional, isto é, resolver o conflito sem processo, sem registros escritos, sem judicialidade.
      A estratégia de levar a Justiça até as comunidades, ou seja, onde reside o cidadão e o problema é assimilada pelos mesmos como sendo uma atenção que o poder judiciário está concedendo às partes, motivando-os, de forma sentimental a resolução do problema.

    • Explique o processo de implementação da prática?

      O Programa Justiça Comunitária Itinerante do Tribunal de Justiça do Acre oferece uma nova forma de estimular a redução dos conflitos em comunidades carentes, ensinando a população a resolver seus próprios problemas, pela mediação, com o auxílio de Agentes Comunitários, recrutados na própria comunidade, apoiados por uma equipe interdisciplinar (Assistente Social, Psicólogo, Conciliadores, Estagiários de Direito e Assistente Administrativo) sob a Coordenação da Desembargadora Eva Evangelista de Araújo Souza e a execução da Juíza de Direito Mirla Regina da Silva Lopes.
      É inovador porque, atuando na comunidade, auxilia na redução da violência local, fornece noções de cidadania, desafoga os Tribunais e, desta forma, acelera o atendimento dos litígios lá existentes, com custo reduzido para o Poder Público.
      Realiza palestras sobre os Direitos Básicos dos Cidadãos e sobre qualquer assunto de interesse dos moradores através de parcerias com diversas instituições a fim de promover o exercício pleno da cidadania.
      Ao mesmo tempo, o Programa facilita o acesso à justiça, aproximando o Poder Judiciário e seus Juizes da população carente, colocando à disposição, além dos Agentes Comunitários, um Juizado Especial Cível Itinerante. Esse Juizado funciona em um ônibus equipado com computadores, ar condicionado, sala de audiência e de reclamações, encaminhados os casos para ajuizamento de ações.
      O Projeto Justiça Comunitária foi idealizado e implementado pela primeira vez pela Juíza Gláucia Falsarelli do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, instalado no dia 16 de abril de 1999, como realçado anteriormente, de lá para cá o projeto difundiu-se em alguns Estados.
      No Acre, começou a ser implantado em outubro de 2002 com a seleção e capacitação dos Agentes Comunitários. Com características próprias e marcantes, em face da história de cuja importância e relato merecem destaque.

    • Quais as dificuldades encontradas??

      Prevalece como dificuldade o acesso físico até as comunidades mais carentes e remotas do Estado, visto que não possui o Acre estradas que interliguem seus extremos. Há localidades que só possuem acesso durante três meses do ano quando os rios enchem, possibilitando tráfego de barcos.
      Na área urbana a dificuldade central é a necessidade de ampliação do quadro de pessoal (agentes comunitários e equipe técnica) para fazer frente a demanda crescente.

    • Quais os fatores de sucesso da prática??

      Fundamentalmente a mudança na cultura social, impingindo novos valores sociais e culturais, sem interferir diretamente no arbítrio de cada indivíduo, difundindo a idéia de que é possível resolver problemas sem necessariamente haver conflitos e envolver a justiça dita formal.
      Outro elemento de sucesso é de natureza estatística, visto que nos dois últimos anos o Projeto atendeu mais de oito mil causas, evitando o ajuizamento da mesma quantidade de ações. Para se ter uma idéia esse número representa dez porcento dos processos tramitando hoje do poder judiciário acreano.

    • Outras Observações?

      Está sendo desenvolvido um projeto de expansão desse trabalho para o interior do Estado, visando formar guardiões da paz, via videoconferência.
      O Tribunal está investindo na captação de recursos objetivando tirar essa idéia do papel.

  • Bases para Execução da Prática
    • Descreva resumidamente as etapas de funcionamento da prática?

      No Acre, começou a ser implantado em outubro de 2002 com a seleção e capacitação dos Agentes Comunitários. Com características próprias e marcantes, em face da história de cuja importância e relato mereceu destaque nas iniciais deste trabalho monográfico. O atendimento ocorreu a partir de 20 de fevereiro de 2003. A atual edição teve início em 07 de abril de 2004, também com a capacitação da Equipe, como início do atendimento ao público em 03 de maio do mesmo ano.
      A exemplo de outros Estados, o projeto visa colaborar com os Juizados Especiais. Ao propiciar um ambiente seguro e neutro para o diálogo previnem-se ações demoradas e desgastantes para ambas as partes. Assim, reduz a quantidade de reclamações a serem ajuizadas nos Juizados, assegurando maior atenção e celeridade ao contigente processual dos Especiais.
      O projeto é realizado em caráter permanente em núcleos na capital e nas áreas florestais ocorre trimestralmente.
      Cada etapa na área rural dura em média 10 dias.

  • Recursos envolvidos na prática
    • Equipe?

      1 - Coordenadora-geral Desembargadora Eva Evabgelista
      1 - Juiza responsável pela execução
      1- Secretaria-geral
      5- Assistente de Coordenação/Psicóloga;
      3- Assistente Social;
      3- Assistente Administrativo;
      10 - Estagiários de Direito
      50 - Agentes comunitários
      A capacitação dos agentes é realizada por profissionais do Tribunal de Justiça além de seminário local com palestrante de reconhecimento nacional como o Prof. Dr. André Gomma – Juiz de Direito de Brasília e Prof. Da Universidade de Brasília. Inicia-se a capacitação com cursos de sensibilização nas áreas do direito do atendimento. Mas a formação é continuada e multidisciplinar, respondendo assim às demandas que vão surgindo com o acúmulo de experiência dos projetos. Eles ainda contam com o apoio de assistentes jurídicos que acompanham os casos. No Acre, funcionários do Tribunal de Justiça prestam esse serviço.
      A forma adotada pelos agentes comunitários de cidadania é a da mediação, pois tende a favorecer a democracia. Quando as partes conseguem por si mesmas construir um consenso sobre a questão, maiores as chances de cumprimento do acordo. Afinal de contas, ele foi alcançado através do diálogo e da possibilidade de todos colocarem sobre a mesa os seus pontos de vista.


    • Equipamentos / Sistemas?

      Sistema de Automação do Judiciário - SAJ
      Equipamenrtos de informática
      Mobiliário
      Material de escritório

    • Infraestrutura?

      A prática é fixa e itinerante na capital e no interior, nos bairros e nos seringais.
      O projeto se adequa a cada situação, por exemplo:
      nas cidades, usamos estruturas físicas como escolas, igrejas, residencias, centros de convivência, etc; já na área rural utilizamos espaços como centros comunitários, casas de seringueiros, escolas, jamaxi (casa indígena).
      Os equipamentos e insumos para funcionamento deles e dos serviços são do Tribunal de Justiça, mas a logística é sempre a disponível em cada local.
      Quando da execução do trabalho itinerante na cidade, possuimos um ônibus totalmente equipado como escritório onde o trabalho é realizado.

    • Parceria?

      O trabalho é realizado totalmente em parcerias, vejamos quem são eles:
      Instituições Parceiras
      Âmbito Federal
      Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República
      Universidade Federal do Acre – UFAC
      Departamento de Direito - ADUFAC
      Âmbito Estadual
      Adjunto da Solidariedade
      Centro da Juventude do Bairro Montanhês
      Coordenadoria de Defesa da Infância e Juventude - Ministério Público
      Juizado da Infância e Juventude
      Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor - Procon
      Coordenadoria de Defesa do Consumidor - Ministério Público
      Secretária de Estado de Educação e Cultura
       Escola Estadual Serafim da Silva Salgado (Sobral)
       Escola Estadual Berta Vieira (S. Francisco)
       Escola Estadual Raimundo Borges (Jardim Eldorado)
       Escola Estadual Antonia Fernandes (Santa Inês)
       Escola Estadual Chalub Leite (Areal)
       Escola Estadual Joelma Oliveira (Montanhês)
       Escola Estadual Henrique Lima (Calafate)
       Escola Estadual João Mariano (Taquari)
       Escola Estadual Clarisse Fecury (Santa Inês)
       Escola Estadual José Potiguara (Calafate)
       Escola Estadual Juvenal Antunes (Calafate)
      Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública
       Polícia Militar
       Polícia da Família
       Delegacia Especializada em Crime contra a Mulher
       Defensoria Pública
       Secretaria Estadual de Cidadania e Assistência Social
       Eletroacre
      Âmbito Municipal
      Conselho Tutelar de Rio Branco
      Rbtrans
      Organizações de Apoio e Religiosas
      Alcóolicos Anônimos
      Creche Moriá
      Igreja Católica
      Igreja Quadrangular
      Assembléia de Deus
      Igreja Batista

      Órgãos de Imprensa
      A Tribuna
      Jornal e TV O Rio Branco
      Jornal Página 20
      Rádio e TV Aldeia
      Rádio Capital
      Rádio e Jornal A Gazeta
      Rádio Acre FM
      Rádio Difusora Acreana
      Rádio Alvorada
      Rede Vida
      TV Acre
      TV Boas Novas
      TV Gazeta
      TV 5

    • Orçamento?

      Os recursos são de convênio liberados sempre no início e na metade de cada exercício, provinientes da secretaria Nacional de direitos Humanos e importam, em média, em 50 mil reais duas vezes ao ano.
      Há também recursos do próprio Poder Judiciário que importam, em média, 15 mil reais mês.

    • Outros recursos?