18/10/2019 - 18h24 Notícia

Iniciativa da Defensoria Pública da Bahia inclui portadores de autismo no quadro de estagiários

Trabalho finalista do 16º Prêmio Innovare, na categoria Defensoria, aumentou a integração dos servidores em torno da causa

Uma parceria implementada entre uma ONG e a Defensoria Pública do Estado da Bahia está mudando a vida de quatro jovens portadores de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Eles são os primeiros estagiários do programa Estágio Especial, iniciado em setembro de 2018 na Defensoria, numa parceria da instituição pública com a ONG Projeto FAMA – Fantástico Mundo Autista. A prática trouxe aprendizado não só para os jovens e seus familiares, mas também para os funcionários da repartição pública, que passaram a se unir em torno dos novatos, cuidando para promover o bem-estar deles e de todos da equipe de trabalho. A prática é finalista da categoria Defensoria Pública da 16ª edição do Prêmio Innovare, em 2019.

 “O que nos levou a iniciar essa prática foi a necessidade de inclusão destes jovens no mercado de trabalho e a ausência de políticas públicas para que eles tenham espaço. Decidimos começar a política de real inclusão destes jovens dentro da própria Defensoria. O Prêmio Innovare é o maior Prêmio da justiça brasileira, que avalia com seriedade as práticas exitosas dentro do sistema de justiça. Para nós, é motivo de grande alegria, mas também de grande responsabilidade, que a nossa prática esteja ganhando o mundo através do Instituto Innovare”, comemora a defensora Firmiane Venâncio do Carmo de Souza, explicando porque resolveu inscrever o projeto no Prêmio: “Inscrevemos o trabalho no Innovare porque queremos divulgar essa prática, expandi-la para outras organizações para que tenhamos em todo o país iniciativas desenvolvidas ou inspiradas nesta que fazemos aqui”.

Além de Firmiane, o trabalho foi desenvolvido em conjunto pelos também defensores públicos Gisele Aguiar Ribeiro Pereira Argolo, Gil Braga de Castro Silva e Donila Ribeiro González de Sá Fonseca, em parceria com o Projeto FAMA – Fantástico Mundo Autista. O estágio colabora para que os jovens se preparem para o mercado de trabalho, promovendo a complementação educacional e o convívio e relacionamento ao mesmo tempo em que estimulam uma atuação inclusiva, a fim de reduzir a segregação.

No ambiente de trabalho, os estagiários são supervisionados por servidores da Defensoria, que observam o desempenho de cada um deles em suas tarefas e orientam sobre a necessidade de assiduidade, presteza, socialização e trabalho em equipe.

“O Prêmio Innovare tem uma importância significativa para a Defensoria, é claro, mas também para tantas outras famílias e pessoas com autismo Brasil a fora e certamente vai renovar a esperança de muitos que enfrentam esta mesma situação. Esse prêmio, com certeza, vai fazer o que é esperança transformar-se em realidade”, comemora a presidente do Projeto FAMA, Patrícia Teodolina.

Para iniciar o trabalho foram necessárias adaptações tanto das equipes de servidores quanto dos próprios estagiários. “Durante a fase embrionária do programa, contamos com orientações e intervenções técnicas da equipe de apoio e coordenação de psicólogos parceiros, do Projeto Fama, que colaboraram tanto com a equipe quanto com os estagiários e os seus familiares”, explica Firmiane.

Utilizando apenas os equipamentos já existentes na repartição pública, a equipe trabalha com sistemas de rotina internos e utiliza apenas o orçamento já previsto para o programa de estágio da Defensoria: bolsa auxílio, auxílio transporte e seguro de acidentes pessoais. Os resultados têm sido surpreendentes.

“Observamos que alguns desses estagiários tinham características imprescindíveis para realização de algumas tarefas, como a capacidade de concentração bem superior, atípica para os jovens de mesma idade. Eles trabalham muito bem com atividades relacionadas à informática, por exemplo”, conta Gil Braga.

Vida mais integrada

A atuação no estágio mudou o ritmo de vida dos jovens, que hoje são mais confiantes e responsáveis em suas atividades. Segundo os familiares, a mudança no comportamento é sensível, tanto em casa quanto na escola.

“Eu aprendi a ser mais independente, a ter maior convívio e como é divertido ficar com os colegas de trabalho”, conta o estagiário Gabriel Alfredo, de 18 anos. “Também aprendi mais sobre computadores e a ter a noção de que você pode ser mais responsável, mesmo tendo a insegurança, você pode fazer isso”, diz.

O projeto também rendeu frutos para a família de Gabriel, como conta seu pai, o técnico químico Jairo Rodrigues.

 “A importância está sendo enorme de ver meu filho sendo capaz de exercer uma profissão. Ele está muito mais solto, muito mais seguro e nos surpreendendo a cada dia. É emocionante ver toda essa evolução em um garoto que foi diagnosticado como autista e é muito especial para mim, pra família e para o Projeto FAMA estar participando de um trabalho tão bacana, tendo como aliada a Defensoria Pública da Bahia. Eu estou bastante entusiasmado e emocionado com o que está acontecendo na vida do meu filho.

Sobre o Transtorno do Espectro Autista

De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), uma em cada 160 crianças em todo o mundo tem o Transtorno do Espectro Autista em diferentes intensidades. Em 2018, cerca de 106 mil crianças diagnosticadas com o transtorno estavam matriculadas em escolas de todo o Brasil, segundo dados do Censo Escolar divulgado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

A ONU instituiu o dia 2 de abril como data para conscientização sobre o autismo. A maioria dos sintomas estão relacionados a dificuldades de comunicação e relacionamento interpessoal em diferentes graus, atingindo também a linguagem e comportamento social. É comum os indivíduos fixarem a atenção em uma atividade específica e repetirem o mesmo ato várias vezes, sem se cansarem.

Em alguns casos o portador pode viver com independência, mas em outros, ele é dependente de cuidados ao longo de toda a vida. O transtorno começa na infância e pode seguir até a juventude e idade adulta. Como tratamento, a Opas recomenda programas de treinamento para os pais e ações mais amplas, que tornem os ambientes mais acessíveis, inclusivos e de apoio ao autista.

Nenhuma escola pode recusar a entrada de um aluno por causa de deficiências e, em dezembro de 2012, foi sancionada uma política nacional específica para pessoas com TEA, conhecida como a Lei Berenice Piana. A lei garante o direito a pessoa com autismo o acesso à educação e ao ensino profissionalizante.

Sobre o Prêmio Innovare

Desde sua criação, em 2004, o Prêmio Innovare já recebeu mais de 6.900 trabalhos e premiou, homenageou e destacou 213 iniciativas que têm como objetivo principal aprimorar o trabalho da Justiça em todo o país, tornando-a mais rápida, eficiente e acessível a toda a população. No site do Innovare (www.premioinnovare.com.br) é possível conhecer todas gratuitamente, utilizando a ferramenta de busca. A consulta pode ser feita por palavra-chave, edição, categoria, estado de origem e a situação da prática.

O Prêmio Innovare é uma iniciativa do Instituto Innovare, com a parceria institucional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep),  Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Conselho Federal da OAB, Associação Nacional dos Procuradores de República (ANPR), Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Justiça, com o apoio do Grupo Globo.

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MMCom Assessoria

Márcia Miranda

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