12/11/2019 - 17h02 Notícia

Mais informação contra a violência obstétrica

Prática do Mato Grosso do Sul dissemina conhecimento entre os profissionais da saúde, as equipes médicas e mães para evitar traumas durante o parto

Uma pesquisa de 2010, realizada pela Fundação Perseu Abramo diz que uma em cada quatro mulheres brasileiras sofre violência no parto, o que tem impactado negativamente na qualidade de vida das mulheres e contribuído para os altos índices de mortalidade materna em todo o país. O assunto é tema da prática selecionada pelo 16º. Innovare na categoria Defensoria Pública, Capacitação e Informação no Combate à Violência Obstétrica.

Em Campo Grande, o trabalho é desenvolvido pelas defensoras públicas estaduais Edmeiry Silara Brochi Festi, Thaís Dominato Silva Teixeira e Thaís Roque Sagin Lazaroto, além da assistente social Elaine de Oliveira França, que fazem parte do Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), da Defensoria Pública Estadual do MS.  Também participam da iniciativa as secretarias municipais de Assistência Social e de Saúde de Campo Grande (MS). E, no interior do Estado, a defensora Thaís Roque Sagin Lazaroto.

“Começamos a perceber que, embora as mulheres nos relatassem casos de violência obstétrica fora da Defensoria, não chegavam até o Núcleo para denunciar. Isso acontecia e ainda acontece pela falta de informações, sofrem condutas violentas sem identificar que se trata de uma má prática, de uma conduta errada sofrendo a violência sem saber que isso é uma violência obstétrica”, conta a defensora Thaís Dominato. “Ser escolhida pelo Innovare é um estímulo para que todas nós, da equipe do Nudem, possamos desenvolver novas práticas que vão além dos gabinetes, ampliando o atendimento à população”, completa.

O trabalho desenvolvido pelo Nudem inclui a visita a unidades de saúde e unidades de assistência social para o esclarecimento aos profissionais, às gestantes e seus familiares. Para facilitar a compreensão do tema, o Núcleo desenvolveu folders informativos com o apoio da Escola Superior de Defensoria Pública de Mato Grosso (ESDP).

“O objetivo foi sensibilizar os profissionais da saúde e da rede de atendimento à mulher, para a necessidade da assistência humanizada ao parto, mostrando que isso é o preconizado pelas políticas públicas de saúde e pelo ordenamento jurídico. As práticas contrárias ocasionam prejuízos para as mulheres e, consequentemente, responsabilização para os agentes causadores, como hospitais, o Estado etc.”, explica Edmeiry Silara.

Mais de 1600 pessoas atingidas em dois anos

Para a assistente social Elaine França, uma das principais vitórias do trabalho foi trazer à tona a discussão sobre violência obstétrica que antes passava despercebida até mesmo pelas mulheres e por alguns profissionais:

“Esse trabalho jogou luz a um tema que vivia na obscuridade. Muitas mulheres desconheciam esse tipo violência e nós percebemos que, após debates que fazemos com elas no dia a dia, nos CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), nas unidades básicas de saúde e em outros locais, elas passaram a entender o que são boas práticas, da gestação ao pós-parto e o que é violento e invasivo”, explica.

Ao todo, mais de 900 profissionais de saúde e da rede atendimento à mulher foram capacitados e mais de 700 mulheres informadas em dois anos nos municípios de Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Sidrolândia e Bonito.

“Desde quando a ação com o Nudem chegou, nós tivemos um trabalho muito bom com as gestantes daqui. Estas mulheres agora se sentem mais empoderadas, atuam como multiplicadoras das informações em seus núcleos familiares e muitas, que passaram por situações de violência obstétrica, identificaram o fato após as palestras”, afirma Leatrice Castro, a assistente social do Cras Guanandi, em Campo Grande.

Violência obstétrica é fruto de antigas práticas

A violência obstétrica geralmente é fruto de antigas práticas de saúde que vêm sendo repetidas no ambiente hospitalar. Ela inclui, por exemplo, o fato de os profissionais de saúde dificultarem o acesso ao pré-natal, não permitirem o acompanhamento da gestante por um familiar, insultos verbais, procedimentos desnecessários ou indução à cesariana, em vez do parto normal.

Segundo pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em 2012, com quase 24 mil puérperas (aquelas que estão em fase pós-parto), uma em cada quatro mulheres acredita que foi vítima de violência durante o procedimento.

Entre as manobras consideradas invasivas estão a aminiotomia (corte da membrana que abriga o feto, para acelerar o parto), manobra de Kristeller (aplicação de pressão na parte superior do útero) e episiotomia (corte na região do períneo).

Sobre o Prêmio Innovare

Desde sua criação, em 2004, o Prêmio Innovare já recebeu mais de 6.900 trabalhos e premiou, homenageou e destacou 213 iniciativas que têm como objetivo principal aprimorar o trabalho da Justiça em todo o país, tornando-a mais rápida, eficiente e acessível a toda a população. No site do Innovare (www.premioinnovare.com.br) é possível conhecer todas gratuitamente, utilizando a ferramenta de busca. A consulta pode ser feita por palavra-chave, edição, categoria, estado de origem e a situação da prática.

O Prêmio Innovare é uma iniciativa do Instituto Innovare, com a parceria institucional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep),  Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Conselho Federal da OAB, Associação Nacional dos Procuradores de República (ANPR), Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Justiça, com o apoio do Grupo Globo.

 

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MMCom Assessoria

Márcia Miranda

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