25/11/2019 - 17h46 Notícia

Solidariedade para os refugiados venezuelanos

Professora cria metodologia para colaborar com a inclusão de alunos imigrantes em escola de Boa Vista (RR)

Números da Organização Internacional para as Migrações (OIM), das Nações Unidas, mostram que, até o fim de 2019, o número de venezuelanos que deixaram o seu país deve ultrapassar os cinco milhões e superar a quantidade de imigrantes sírios. Pacaraima, cidade brasileira localizada na fronteira com a Venezuela, vem recebendo diariamente cerca de 500 refugiados. Em todo o Estado de Roraima as escolas são pontos de chegada para crianças, adolescentes e jovens que tiveram que abandonar vários referenciais.  Para tornar a convivência mais harmônica e ensinar os jovens brasileiros a serem solidários com os novos amigos, a professora Simone Catão criou um método que ultrapassou os limites da escola Olavo Brasil Filho. A prática Duas Culturas, uma Nação é finalista do 16º. Prêmio Innovare na categoria Justiça e Cidadania.

“Temos 62 alunos venezuelanos que migraram para o Brasil em busca de um futuro melhor. Quando chegaram, eles encontraram a barreira da língua e algumas brincadeiras de mau gosto por parte dos alunos brasileiros. O objetivo do Duas Culturas uma Nação é conhecer a realidade desse povo, mostrar o que está fazendo com que migrem para o Estado de Roraima, para que sejam compreendidos e aceitos”, explica. “O que nos levou a inscrever o trabalho no Prêmio Innovare foi o desejo de divulgar essa prática e fazer com que outras comunidades conheçam a nossa experiência como bons exemplos de ações para receber os imigrantes”.

Simone conta que, quando chegavam à sala de aula, era comum os venezuelanos perguntarem várias vezes sobre a mesma questão, por conta de dificuldades da língua. Os jovens não se sentiam incluídos e tinham dificuldades para expressar seus sentimentos. A baixa autoestima também prejudicava no desenvolvimento escolar, fazendo com que se distanciassem cada vez mais dos colegas de sala. Professora de matemática, ela logo tratou de preparar aulas sobre os motivos da hiperinflação no país vizinho.

“A partir dos estudos, os jovens começaram a compreender o que movia os venezuelanos a deixarem suas casas, familiares e amigos. Trouxemos a cultura deles para a escola, mostrando a culinária, inserindo a arepa, um prato típico venezuelano, para o lanche uma vez por mês. Fizemos apresentações de danças típicas, como o Joropo, e isso fez com que as aulas ficassem mais participativas e ricas, unindo a cultura dos dois países. Os alunos levaram esse conhecimento para suas famílias, os pais compartilharam as informações com os vizinhos e o trabalho passou a mover toda a comunidade. O aluno brasileiro aprendeu a respeitar e acolher os refugiados”, destaca.

Aprendizado estimulou interesse pelo noticiário

A Escola Estadual Olavo Brasil Filho fica na periferia da capital Boa Vista e funciona em dois turnos, atendendo 803 alunos do ensino fundamental II (6º ao 9º ano) e médio. O trabalho de integração e conhecimento da cultura venezuelana integrou, também, as outras disciplinas. Passaram a fazer parte dos estudos informações sobre a história e a geografia do país vizinho, a língua e até cálculos financeiros básicos, como porcentagem, juros simples e compostos, tendo como tema o processo migratório.

“Levei a moeda venezuelana para sala de aula e eles compreenderam que todos os dias o dinheiro se desvalorizava. Neste dia, descobrimos que o salário mínimo na Venezuela vale o equivalente a US$ 10”, afirma Simone.

Depois de várias pesquisas e demonstrações, em cálculos, sobre o valor real da moeda venezuelana, os alunos criaram um mural informativo contendo a variação dos preços dos produtos. Interessados em descobrir cada vez mais sobre os colegas, os jovens passaram a buscar fontes de informação, porque queriam estar atualizados sobre os acontecimentos diários do país vizinho. Atenta ao desejo dos alunos, Simone resolveu preparar a cartilha “Alunos da imigração: como acolhê-los?”

“Presenciei o despertar deles para a cidadania. É difícil encontrar jovens com interesse político, principalmente diante da crise que o Brasil também está passando. Distribuímos a cartilha nas escolas, para mostrar como as nossas ações tinham colaborado com os imigrantes. E recebemos retorno dos familiares venezuelanos, que demonstraram a real integração das crianças à escola, com a promoção da autoestima, confiança e relações sem preconceitos e discriminações”, afirma.

Brasil recebe apenas 2% de todos os imigrantes venezuelanos

Segundo a OIM, no início de novembro de 2019, havia cerca de 4,6 milhões de refugiados da Venezuela em todo o mundo, 68% deles na Colômbia, Estados Unidos e Espanha. A expectativa é que, se o fluxo continuar no mesmo ritmo, 6,5 milhões de venezuelanos estejam fora do país até o fim de 2020. Na América Latina, o Brasil não é o que mais recebe imigrantes: são 212 mil aqui, contra 1,4 milhão na Colômbia, país mais procurado.

Em Roraima, as cidades que mais recebem os estrangeiros são Pacaraima, que fica na fronteira, e a capital Boa Vista. Programas de interiorização estão sendo realizados, para estimular a viagem para outros estados do país. No último dia 13 de novembro, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a OIM lançaram um plano para captação de US$ 1,3 bilhão para responder às necessidades humanitárias dos refugiados.

Sobre o Prêmio Innovare

Desde sua criação, em 2004, o Prêmio Innovare já recebeu mais de 6.900 trabalhos e premiou, homenageou e destacou 213 iniciativas que têm como objetivo principal aprimorar o trabalho da Justiça em todo o país, tornando-a mais rápida, eficiente e acessível a toda a população. No site do Innovare (www.premioinnovare.com.br) é possível conhecer todas gratuitamente, utilizando a ferramenta de busca. A consulta pode ser feita por palavra-chave, edição, categoria, estado de origem e a situação da prática.

O Prêmio Innovare é uma iniciativa do Instituto Innovare, com a parceria institucional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep),  Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Conselho Federal da OAB, Associação Nacional dos Procuradores de República (ANPR), Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Justiça, com o apoio do Grupo Globo.

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MMCom Assessoria

Márcia Miranda

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