24/10/2019 - 14h34 Notícia

Trabalho e capacitação para jovens que moram em casas de acolhimento

Prática Trampo Justo, criada na Corregedoria Geral de Justiça de São Paulo, promove inclusão de jovens no mercado de trabalho

Adolescentes que vivem em abrigos de São Paulo, oriundos de famílias em situação de risco, pobres e periféricas, estão recebendo apoio de uma iniciativa da Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo. A prática, que se chama Trampo Justo, estimula a concessão de vagas de emprego e bolsas de estudo a adolescentes acolhidos, que começam a trabalhar como jovens aprendizes a partir dos 14 anos ou sob o regime da CLT, a partir dos 16 anos. O trabalho é finalista no Prêmio Innovare, na categoria Tribunal.

A iniciativa é desenvolvida pelo TJSP em parceria com o Centro de Integração Empresa Escola (CIEE) e empresas como Magazine Luiza, Bauducco e Universidade Nove de Julho. O objetivo é evitar que o jovem, obrigado a deixar a casa de acolhimento ao completar 18 anos, fique sem formas de se sustentar. A prática foi inscrita no Innovare pelo juiz Iberê Dias. Esse é o segundo trabalho do TJSP na área da Infância e da Juventude selecionado como finalista do Innovare. No ano passado, o projeto Adote um Boa Noite foi o vencedor na categoria Tribunal, executado em parceria com a agência de publicidade F/NAZCA para estimular a adoção de crianças e adolescentes com oito anos ou mais.

 “Quando estes adolescentes completam 18 anos eles são obrigados a ir para a rua e se sustentarem sozinhos, custear a própria moradia, alimentação, transporte. A ideia é conseguir vagas de emprego para estes adolescentes e desenvolver a autonomia deles enquanto ainda acolhidos”, explica o juiz. “O Innovare vem para potencializar e chancelar este projeto, para certificar a validade, a razoabilidade, a importância de um projeto como este na vida dos adolescentes que moram nas casas de acolhimento e passam pelas mais diversas dificuldades e privações”.

O Trampo Justo aproveita o momento em que o adolescente ainda está sob cuidados de técnicos, promotores e magistrados para incentivá-los a ingressar no mercado de trabalho, desenvolvendo a consciência da importância de trabalhar regularmente. “Nesta fase, não é raro que eles sejam assediados pelo tráfico de drogas, que não exige escolaridade e nem experiência prévia e oferecer vultosas remunerações”, afirma o juiz Iberê.

Parcerias importantes para sustentar a estratégia

A sensibilização para aderirem ao trabalho tem a contribuição de pessoas com origem social similar, que contam suas situações de vida. Uma delas é o rapper Dexter, ex-presidiário que faz palestras para mostrar aos adolescentes os efeitos negativos do mundo do crime. Com o tempo, o trabalho, que vem sendo desenvolvido em São Paulo desde junho de 2018 e que foi lançado publicamente em fevereiro de 2019, despertou o interesse de empresas e instituições, que oferecem não apenas empresas e bolsas de estudo, mas também capacitação profissional gratuita.

“Nós temos hoje, aqui na filial, dois jovens que prestam serviços e são oriundos do Trampo Justo. Eles já completaram 18 anos e hoje moram fora do abrigo. Nosso papel aqui é desenvolvê-los profissionalmente”, conta Sheyla Costa, gestora administrativa da loja Magazine Luiza da Avenida Mateo Bei, em São Mateus, São Paulo. “Eles passam por todos os setores da loja, no caixa, estoque, crediário e principalmente no salão de vendas”.

Entre os estagiários que estão atuando na Magazine Luiza estão Marcos Antônio Barbosa de Oliveira, que recebe elogios da gestora Sheyla. “É um menino muito dedicado. Ana Carolina está conosco há menos tempo, há cerca de dois meses, mas também atende os clientes com muita atenção”, afirma.

“Com a iniciativa do projeto eu tenho planos para futuramente conseguir pagar um aluguel e até dar entrada em uma casa própria. Essa experiência tem aberto possibilidades e a empresa dá muito apoio para que isso aconteça”, conta Marcos, que tem o sonho de estudar Direito. “Esse trabalho tem me dado oportunidades e chances de eu crescer junto com a empresa”, afirma Ana Carolina.

Mais de 47 mil jovens acolhidos em todo o Brasil

Segundo levantamento do Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 47 mil crianças e adolescentes moram em abrigos e casas de acolhimento em todo o país. Entre os motivos que levam a este tipo de acolhimento estão maus tratos no ambiente familiar, retirada de situação de rua e a determinação judicial depois que se verifica a falta de estrutura da família para a criação da criança ou adolescente. Muitos chegam aos abrigos sem nome, certidão de nascimento ou qualquer outro documento.

Na maioria dos casos, tenta-se a recuperação dos vínculos afetivos com a família, mas nem sempre isso é possível, principalmente quando o menor é vítima de maus tratos.  As crianças acolhidas frequentam escolas públicas comuns e nem sempre recebem apoio necessário para continuar os estudos. Algumas apresentam deficiência visual ou auditiva. A falta de apoio dificulta ainda mais a entrada no mercado de trabalho.

Sobre o Prêmio Innovare

Desde sua criação, em 2004, o Prêmio Innovare já recebeu mais de 6.900 trabalhos e premiou, homenageou e destacou 213 iniciativas que têm como objetivo principal aprimorar o trabalho da Justiça em todo o país, tornando-a mais rápida, eficiente e acessível a toda a população. No site do Innovare (www.premioinnovare.com.br) é possível conhecer todas gratuitamente, utilizando a ferramenta de busca. A consulta pode ser feita por palavra-chave, edição, categoria, estado de origem e a situação da prática.

O Prêmio Innovare é uma iniciativa do Instituto Innovare, com a parceria institucional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp), o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep),  Associação dos Juízes Federais (Ajufe), Conselho Federal da OAB, Associação Nacional dos Procuradores de República (ANPR), Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Justiça, com o apoio do Grupo Globo.

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MMCom Assessoria

Márcia Miranda

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